o retrato
gelados, abecedários, quadros da natureza
Não sei como, mas de alguma forma esse som me coloca num mood de “retrato vivo”
Muitas vezes queremos escrever as melhores coisas e ter as melhores ideias, mas simplesmente não aconteceu
Viver me pareceu ser mais sensato, barato emocionalmente
Decidi simplesmente retratar, um pouco do que foram meus últimos dias de Fevereiro e início de Março
Sem ideias pra escrever e até deixando de escrever pra viver outras partes da vida
O que falar sobre Freezes??
Esse é um daqueles sabores da infância, carregado de memórias
Me peguei na última semana de Fevereiro e fui lá comprar um Freeze (gelado, gelinho) este em particular sabe a uva
Na hora de escolher o sabor tive que questionar qual deles era o meu favorite, não queria somente pegar um por pegar
Se já acompanhas esta newsletter a um tempo, sabes que amo Sorvetes ♥️, e descobri que os gelados me atraem kkkkkk
Me dar oportunidade de saborear algo da minha infância me trouxe tantas lembranças
O meu primeiro negócio foi a venda de gelados de leite condensado e depois elevei o nível com o Freeze (industrializado)
Freeze era aquele tipo de coisa que misturava tempo de qualidade com amigas e baixo custo
Uma história: Sobre protecçäo dos momentos importantes
Se fosse para dar um nome a essa história seria: Um freezy do tempo
Nas tardes geralmente de sábado, sem celulares, sem distração, os nossos encontros eram marcados pelo freeze
Só precisavamos ter cada uma 2Meticais, 1Metical para o gelado e o outro para bolinho(bolas de Berlim)
Numa dessas tardes, a Mary (nome fetício de uma das meninas, para proteger a identidade dela), foi connosco para o interior do bairro de Torrone novo (o freeze e o bolinho eram vendidos numa das casas)
Assim que compramos o nosso lanchinho todas felizes, nós recolhemos
Na volta passamos por uma ponte de paus e estava escorregadia tinha chovido
Tentamos passar com cuidado e na vez da Mary ela escorregou e caiu depois da ponte
Rimo-nos, não por ela ter caido, mas porque ela estava com os braços para cima, protegendo numa mão o freeze e na outra o bolinho
Brincamos dizendo “ pode acontecer tudo mas não largo meu lanche” kkkkkkk
Ela na verdade não estava a proteger esse simples lanche, mas o momento de partilhas, sorrisos, brincadeiras e sabor
E sim eu daria o nome do Um freezy do tempo, porque não havia pressa, o tempo congelava e a alegria vinha com calmaria
O Abecedário
Está é a terceira vez que sento para escrever algo para está newsletter, e a primeira foi muito interessante
Eu não sei se descobriste (talvez ainda não estás subscrito, para fazer essa descoberta, mas se fizer sentido convido-te a fazer a subscrição)
Não consegui postar a segunda newsletter na semana passada, quero me desculpar se ficaste a espera e dizer que isso pode acontecer mais vezes, pelo mesmo motivo que irei aqui narrar
Assim que me sentei em frente ao computador, junto da minha sobrinha (que estava a treinar caligrafias)
Notei que ela estava a ter desafios com uma letra e decidi ajudá-la mas com objectivo de escrever algumas letras do abecedário
Enquanto eu escrevia ia pensando, só mais uma folha e percebi que estava com pressa de deixar ela e escrever a minha newsletter
Isso fez-me questionar o que eu estava a fazer “ estou a abandonar a minha sobrinha, para ela não tenho tempo? Só tenho tempo para o virtual? O que estou a ensinar pra ela?
O peso disso foi grande, resolvi terminar todo abecedário com ela, com calma, presença, e escolhi que a minha escrita seria com ela
Eu sei que tenho responsabilidades pelo que cativo, pelo que me comprometi a fazer
Mas as crianças crescem a velocidade da luz, e eu não queria perder a oportunidade de criar uma memória com ela
Talvez ela se lembre quando adulta ao olhar pra as suas letras, que existe um pouco de mim nela, ou talvez não se lembre de nada
Mas eu irei sempre lembrar que a minha melhor escrita foi um abecedário com a minha sobrinha
E isto alegrou-me muito, a pessoa que entendi que tinha de ser pra ela, e ainda teve um céu azul e rosa para testemunhar
Teve sabor a milho, que me fez reflectir sobre a Paciência de semear e deixar crescer algo bom dentro das pessoas
Amo a cor do tomate, e amo tomate porque é muito versátil
Cabe em várias receitas
A ideia era preparar um caril de peixe com coco e fui atrás do tomate, e aí percebi que precisava de um pouco de cartão
Uma menininha fofa estava a vender o carvão, levei todo que ela tinha, mas mesmo assim não tinha trocos
Um senhorzinho desponibilizou-se a arranjar trocos, pegou no dinheiro é foi-se
Desconfiei e ainda pronunciei em voz alta “será que aquele senhor não irá passar à perna na menina?”
E um moço ao lado respondeu: “ não, ele é daqui “
Aí o senhor voltou com os trocos, e senti-me envergonhada
Porquê desconfiei dele? Muito mais de que um gesto de gentileza, aquele era um retrato de vivência em comunidade.
Porquê é que constantemente nos esquecemos da vivência comunitária? Será que o mundo nos feriu tanto que perdemos a capacidade de confiar?
Naquele dia eu reafirmei a ideia de que “ainda existem pessoas boas no mundo” e que preciso me lembrar disso
O final de Fevereiro foi marcado pela minha viagem de regresso, um momento emocional
Estava sair de Quelimane (Moçambique, ver no mapa mundi), uma cidade calma pacata mas que anima, para Maputo (capital do país) cidade grande de correria
Por um lado tinha minha família e o tempo de qualidade cheio de amor que ficava pra trás, do outro cidade de oportunidades e facilidade de produtos, minha segunda casa
Confesso que saí pra o aeroporto com saudades de casa da minha mãe, comidas, do amor, do barulho dos pássaros
Primeiro contra tempo
Meu vôo foi alterado, então eu teria mais tempo de espera e 1 escala de 1h noutra cidade
Resolvi passar esse tempo escrevendo e observado a sala de embarque
Foi tão derepente quando vi um quadro feito pela natureza, próximo a pista
E disse “ nunca vi uma pistas que vem depois de um quadro m nenhuma parte do mundo (ainda preciso viajar mais claro)
Enfim muito mais do que um quadro era contemplação, uma fuga ao screen, uma fuga bem boa
Segundo contra tempo: sentar-me ao lado de desconhecidos, e ficar 1h à bordo ao lado deles
Eu amo conversar, mas não queria invadir espaço de ninguém, nós primeiros 45min de vôo me mantive calada, dormindo
Durante a escala a conversa surgiu naturalmente, com o Senhor que estava do lado esquerdo, a minha direita tinha uma moça a dormir á sério
Enquanto conversava-mos ofereci um doce (rebuçado, bala) aos dois companheiros (sim também a moça “bela adormecida”)
A ideia dos doces era tornar o tempo de espera mais saboroso
Nossa “bela adormecida”, abriu e colocou na boca, voltou a dormir
O Senhor disse “talvez o faço mais logo” e guardou no bolso
Isso fez-me lembrar da minha viagem de ónibus de Santos(São Paulo) para Curitiba
Um senhor simpático sentado ao meu lado, ofereceu-me um kit kat, aceitei com um sorriso
Mas ouvi muitas coisas sobre o Brasil, e assisti muitos filmes kkkkkk os cenários do que poderia acontecer povoavam a minha cabeça
Só comi o kit kat em casa, e só porque meu amigo na altura era cientista na área de farmácia
Mas essa mesma paranoia foi esquecid quando saia de Curitiba pra Rio de Janeiro, onde conheci uma mexicana que me ofereceu bom bons de tequila
Comi com gosto e logo e depois pensei “ prontos cai na armadilha”, e na verdade fiz mais uma amiga
Se calhar tratando-se de uma mulher senti-me segura
Voltando ao vôo, a conversa continuou, trocamos impressões, falamos um pouco do que cada um fazia
E calhou que descobri que o senhor conhecia meu tio muito bem, e que conheciamos outras pessoas em comum
O mais surpriendente é que, ele era dono de um empreedimento muito famoso no país, que todos conhecemos o nome mas não o dono
Pois é, quando era pequena dizia que temos de tratar bem as pessoas (principalmente o mendigo) porque poderia ser Jesus
Neste caso só posso dizer, nunca se sabe quem está sentado ao seu lado
E antes do vôo chegar ao destino, ele resolveu deliciar-se do doce
Gostou tanto que não deitou o plástico, com certeza pra poder comprar mais logo
Mais ainda deixou ficar umas dicas, de locais pra visitar com óptima comida, já que eu contei que aprecio novos sabores
Se és Brasileiro, me aguarde aí tudo pea comida maneira (ele falou muito bem dela)
Esse vôo tinha tudo pra ser “boring” entediante, e bem mais cansativo, só que não
Viver é uma decisão importante e diária, não importa os contra tempos, escolher viver faz-te aproveitar mais a abundância na terra
Escreve aqui nos comentários o que fez mais sentido para ti? O que realmente te tocou neste retrato vivo?
Partilha com a primeira pessoa que te aparecer à cabeça

















